
Eu tinha uma enorme implicância com esse filme, evitando por muito tempo assisti-lo por dois únicos motivos: 1) o roteiro do filme é de Charlie Kaufman; 2) o longa conta com a protagonização de Jim Carrey, em mais uma tentativa de mostrar sua competência em um papel dramático. Porém, eu não tinha me dado conta da direção, à cargo de Michel Gondry.
Michel Gondry é mais conhecido pelo seu trabalho na direção de videoclipes, mas resolveu expandir as suas habilidades ao aventurar-se neste longa. Genial, inventivo, mas bastante comedido, Gondry tomou as rédeas da produção e, aparentemente, impôs o seu estilo, polindo, controlando e limitando a personalidade caótica e megalômana tanto do co-roteirista Kaufman quanto do protagonista Carrey. Para o bem de seu filme, a contribuição de Gondry no roteiro do longa potencializa as qualidades do trabalho de Kaufman, e sua direção cuidadosa consegue fazer o que nenhum diretor conseguiu fazer adequadamente até hoje: uma atuação dramática convicente e sensível do comediante Jim Carrey. E a maneira como os personagens conseguem tocar o público não é apenas graças ao excelente desempenho dos atores, mas à atenção do diretor à esse aspecto do filme. Mesmo concebendo seu filme como um exercício de loucura e surrealismo, com excelentes soluções visuais e sequências concebidas para exteriorizar a mente e as lembranças do personagem, Michel Gondry não se deixa vencer pelas suas próprias artimanhas, deixando espaço para que os atores façam o seu serviço e conquistem a simpatia do público. Desta forma, os atores conseguem fazer com que a estória dos seus personagens, bem como a paixão que o casal de protagonistas tem um pelo outro, nunca seja eclipsada pelo argumento idiossincrático do longa-metragem.
“Brilho Eterno de uma mente sem lembranças” surpreende, mostrando que além de um excelente filme que aventura-se por extravagâncias pós-modernas também é um longa-metragem, equilibrado, sensível e tocante, à imagem das melhores comédias românticas americanas.
0 comentários:
Postar um comentário